terça-feira, 21 de maio de 2013

PARA UMA TERÇA-FEIRA

Terça-feira é o segundo dia útil da semana. As angústias da segunda é uma lembrança de ontem. Terça-feira e , como sempre, acordei às 04:30 da manhã, para dar a minha modesta contribuição para que o meu patrão fique mais rico. Antes de tomar banho, dei uma bela cagada. Depois, entrei debaixo do chuveiro e achei que hoje tomei o melhor banho da minha vida. Não há explicação para isso. Vesti uma calça, pus uma camisa polo, um tênis e fui esquentar a água para o café. Esquentei o cuscuz que sobrou do jantar, coloquei num prato, misturei com leite e mandei ver. Estava uma delícia. O café também estava muito bom. Quando acabei o café me lembrei que tinha esquecido de fazer uma prece. Fiz uma careta e prometi que oraria na hora do almoço. Peguei a carteira e o celular e enfiei um em cada bolso da calça e me preparei para enfrentar as agruras do cotidiano. Caminhei por dez minutos e cheguei à parada do ônibus. Mais cinco minutos e o coletivo, como sempre vem cheio, e a certeza que vou em pé até o fim da linha. Já estou acostumado e não reclamo. Chego ao trabalho e só faço sonhar com o dia da da minha aposentadoria. E o sonho cresce quando o patrão chega e começa a dar as ordens com uma voz cavernosa que mete medo. Medo que eu não tenho, pois com vinte anos na firma, me acostumei àquela voz autoritária. Às vezes eu obedeço, às vezes eu mando ela se lascar e assim o tempo vai passando. Até que chega dezessete horas . A hora da santa largada. Uns ainda vão tomar no bar da esquina, a cachaça de todo dia, antes de enfrentarem o ônibus que os levarão para casa. Eu saio correndo sonhando com o dia da minha aposentadoria.

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